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terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Auricularia mesenterica




Desde que mudei de cidade, o Jardim da Sereia presenteou-me com várias espécies. Auricularia mesenterica foi uma delas, em Dezembro.

É um fungo gelatinoso, do mesmo género da orelha de judas (Auricularia auricula-judae). A orelha de judas é o cogumelo preto chinês que muitas pessoas tomam por algas nos restaurantes chineses.

Auricularia mesenterica é um comestível mediocre, pois a a cutícula é tomentosa e rígida. A superfície é zonada, com aspecto que faz lembrar Trametes versicolor, mas distingue-se facilmente pela sua textura gelatinosa e pela superfície inferior sem poros visíveis e enrugada.

Auricularia mesenterica é saprófita de madeira morta de planifólios, muito abundante por toda a Europa e América, principalmente em bosques de ribeiros ou zonas com bastante humidade.

Auricularia auricula-judae partilha um habitat semelhante. Segundo o guia da Incafo de Moreno et al., é um dos poucos cogumelos capazes de frutificar em madeira de sabugueiro (Sambucus nigra). O sabugueiro é uma árvore muito ligada à história católica. Alguns pensam que a cruz de Cristo era de pau de sabugueiro, e que foi num sabugueiro que Judas se enforcou depois de trair Cristo. O nome deriva do seu aspecto de orelha humana e de crescer na madeira desta planta.

No Vietnam tive oportunidade de visitar estufas onde se cultivava A. auricula-judae em grande escala.

No Jardim da Sereia, somos obrigados a ver mais que cogumelos... cá fica uma panorâmica donde se encontrava o tronco da árvore.

Bom 2008!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Agrocybe aegerita


Num Outono tão seco quanto este, tivemos mesmo assim a presença dum manjar: Agrocybe aegerita. Esta espécie é parasita/saprófita de choupos (aegirita do grego aigeros, que significa choupo) e árvores similares (ex: ulmeiros), apesar de poder também ser encontrado noutras árvores. Aparece em tufos, por vezes numerosos. É simplesmente deliciosa. Tem vários nomes comuns de acordo com a região, entre os quais "maozinhas" em trás-os-montes.
Caracteriza-se, entre outros aspectos, pela sua esporada castanho-tabaco, que tinge as lâminas da mesma cor, pelo anel no pé, que rapidamente fica tingido pelos esporos, e pelo chapéu de cor clara, que "quebra" com tempo seco.
O seu cultivo pode ser feito em casa: basta conseguir um tronco de choupo inoculado com o micélio. Depois, é colocá-lo no quintal/varanda, regá-lo e fazer figas!
No Minho, é comum usarem-se troncos de choupo para suportar as vinhas no sistema de condução "enforcado". E bastas vezes fizemos jantares à custa desses troncos. Mais um "fruto" da vinha!
Pode-se encontrar durante todo o ano, desde que haja alguma humidade na madeira, excepto nos meses de inverno.
Em tempo seco, por vezes é a única espécie comestível que se encontra!

Para mais informações e inclusivé, receitas, pode-se consultar o site do interessante projecto "MICOVALDORBA":

http://www.valdorba.org/micovaldorba2/setas/agrocybe_aegerita_seta_chopo.html

e em italiano na Wikipedia:

http://it.wikipedia.org/wiki/Agrocybe_aegerita

(foto: cortesia de Inês Montalvão, num sábado luminoso em Braga, na busca de cogumelos para a actividade "os segredos dos cogumelos"! Obrigada Inês pela excelente foto, pois os que vi antes comi-os e as fotografias serão colocadas noutro poste...)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Cyathus striatus


O mundo é dos pequenos. E Cyathus striatus é disso exemplo.
Apesar de muito frequente e cosmopolita, muitos podem nunca ter reparado nesta espécie, simplesmente por ser pequena. Cresce em restos lenhosos em locais húmidos, e parece um "ninho de pássaro" com "ovinhos" dentro. Não surpreende pois que esta espécie pertença à ordem Nidulariales (Nidularia, de ninho).

Cyathus striatus tem uma estranha forma de vida. Dentro de cada "ovo", designado peridíolo, estão esporos. Ao cairem as gotas de chuva no cogumelo em forma de taça (Cyathus = taça), o peridíolo é projectado para fora da taça. Possui um extensor, que mais parece uma gavinha, que se enrola aos restos lenhosos envolventes e permite a dispersão da espécie. Em pouco tempo temos vários cogumelos de Cyathus striatus, todos mais ou menos próximos.

Esta espécie possui uma boa capacidade de degradar os restos lenhosos onde se encontra. Distingue-se de outras espécies similares pelas estrias (striatus = estrias) visíveis no interior da taça, entre outras características. Produz estriatinas, substâncias antibióticas. Podemos encontrá-la desde a Primavera ao Outono. Na nossa experiência, é uma das Nidulariales mais comuns em Portugal (mais frequente que Crucibulum laeve).

Para saber mais sobre esta espécie e a sua dispersão, vale a pena fazer uma viagem ao site australiano:

http://www.anbg.gov.au/fungi/birds-nest-cannonball.html

e ao site americano:

http://waynesword.palomar.edu/pljune96.htm

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

30 cogumelos!



Hoje mudei de dígito. Fiquei para aqui, a viver o meu dia, a pensar no número 3.

Inevitavelmente fazem-se reflexões nestes dias, dias de mudança de primeiro dígito.
Inevitavelmente lembrei-me que com 30 anos, vi muitos cogumelos.

Lembro-me do que vi a primeira vez, devia ter 6 anos. Lembro-me da minha mãe me impedir de lhe tocar, com medo de ser venenoso, e lembro-me do meu fascínio. Nem sequer tinha cores: era branco.

Hoje escolhi a Russula virescens, uma espécie pouco frequente, visível neste Verão.

É simples e não chama muito a atenção. É verde ou esverdeada, e parece que tem um chapéu velho. Tem rugas, está toda quebrada. Mas é uma excelente comestível.

Aos 30 anos espero ainda ser comestível.
Mas apenas para quem tiver pa(ciência) de me identificar e souber esperar pela altura certa...

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Boletus aestivalis



Mais uma maravilha do Verão. Espécie termófila e heliófila, que adora o calor e o sol que toca o solo das florestas. As chuvas de Verão deram-nos cogumelos desta espécie como presente, um boleto excelente comestível!
É semelhante a Boletus edulis, mas distingue-se deste não só pela estação do ano, mas também pelo reticulado do pé de B. aestivalis cobrir todo o pé e pela ausência de margem branca no chapéu (B. aestivalis também é conhecido com B. reticulatus).

O chapéu de B. aestivalis fica com um aspecto quebrado com o tempo seco, e pode variar em distintos tons de castanho.

Foto: Braga, Agosto de 2007

Para mais informações podem consultar:

http://en.wikipedia.org/wiki/Boletus_reticulatus

E para quem gosta de italiano:

http://www.micologi.it/schede_funghi/aestivalis.htm

terça-feira, 10 de julho de 2007

Cantharellus de Verão!


O mundo é um lugar cheio de surpresas, e há dias em que vale a pena olhar para o chão e acreditar. O tempo atípico das últimas semanas permitiu-nos comer abundantemente Cantharellus cibarius no Verão. Encontramos e colhemos esta espécie desde o dia de S. João até ao fim de semana passado.
Para os micófagos, Cantharellus cibarius é uma espécie que dispensa apresentações. É um comestível excelente, que pode ser encontrado da Primavera ao Outono, desde que haja chuvas. Surge em bosques de folhosas, pinhais, e inclusivé eucaliptos, preferencialmente em zonas bastante húmidas, ao longo de linhas de água. Tem algumas características muito especiais: 1) não tem verdadeiras lâminas, mas sim pregas enrugadas debaixo do chapéu; 2) é um Polyporales, isto é, está mais próximo dos cogumelos das árvores com textura coriácea do que dos outros cogumelos (Agaricales); 3) nunca está "bichado", ou seja, a sua carne parece ser imune ao ataque feroz das larvas que tantas refeições nos leva.
A cor amarela-laranja e ausência de lâminas permite a sua distinção da maioria das outras espécies, se a observação for cuidada. Em pinhais, existe uma espécie similar para os menos atentos: Hygrophoriopsis aurantiaca, o falso cantarelo, considerado por alguns de comestibilidade duvidosa e inferior.
Este Verão foi de facto especial. Se tivermos mais chuvas, é provável os voltemos a encontrar.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Armillaria mellea




Esta espécie, apesar de comestível, é uma das "más da fita" para árvores. Além de saprófita, é fortemente parasita de diversas espécies, desde a vinha ao sobreiro. É capaz de causar podridão radicular e levar à morte das plantas, e encontra-se amplamente distribuída no globo, tanto em regiões temperadas como tropicais. As árvores mais fracas, devido a competição, ataques de outras pestes ou condições climáticas adversas são as mais susceptíveis à infecção pelo fungo. Quando ataca as árvores pode produzir centenas de cogumelos, em tufos na base do tronco (ver foto) ou à volta da árvore sobre as raízes enterradas. Apesar do micélio sobreviver na planta todo o ano, os cogumelos são visíveis sobretudo no fim do Verão ou Outono, após a chuva. O controlo da infecção faz-se recorrendo a fungicidas e arrancando as plantas infectadas.
Armillaria mellea trata-se na verdade dum complexo de espécies. Sabe-se hoje que existem várias espécies crípticas, indistinguíveis nas suas características morfológicas mas com distintos padrões moleculares.
Em Portugal, Helena Bragança, da Estação Florestal Nacional, estuda os padrões moleculares de A. mellea capaz de causar podridão em sobreiro. Além da extrema importância em conhecer-se este complexo de espécies capaz de causar declínio numa árvore crucial para o nosso país, postulou-se há alguns anos atrás que A. mellea poderia ser responsável pelo chamado "gosto a rolha". O "gosto a rolha" é um fenómeno raro: afecta cerca de 0.5 a 2% das rolhas a nível mundial. Caracteriza-se pela presença de substâncias voláteis na rolha capazes de migrar para o vinho e conferir-lhe um gosto desagradável a mofo. Um dos principais compostos responsáveis por este aroma é o tricloroanisol (TCA), e pode ser produzido por vários microrganismos presentes na casca do sobreiro. No entanto, a A. mellea não parece ser responsável por este defeito aromático.
De facto esta espécie é comestível, mas requer cocção prévia durante cerca de 5 minutos para prevenir eventuais indisposições gástricas. Não é muito rica em sabor, mas têm uma textura interessante, e liberta uma "geleia" que espessa o molho. Pode também ser conservada em compota. Apenas os exemplares jovens devem ser consumidos, pois os mais velhos são indigestos. Para bem das nossas árvores, é bom não vermos esta espécie muitas vezes, pois é um sinal de declínio das florestas.
Para mais informações, consultar:
http://www.cientic.com/tema_fungos_jorn03.html
http://www.na.fs.fed.us/spfo/pubs/fidls/armillaria/armillaria.htm
http://www.mushroomexpert.com/armillaria_mellea.html

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Amanita muscaria: no reino da fantasia


Há tanto a dizer sobre este cogumelo que nem sei por onde começar, apenas sei que não direi tudo. É o cogumelo dos nossos sonhos, o "vermelho com as pintinhas brancas". As pintinhas são restos do véu universal que envolve todas as amanitas, como se fosse uma casca a proteger um ovo. Meio ovo fica debaixo da terra, a volva; a outra metade pode ficar espalhada em flocos mais ou menos grandes pelo chapéu.
A cutícula vermelha do chapéu tem toxinas que são insecticidas, e eram usadas para matar moscas, daí o nome muscaria. Este cogumelo também é tóxico para nós, podendo mesmo ser mortal. Mas a cutícula vermelha têm substâncias alucinogénicas, e devidamente preparada, foi utilizada em rituais xamanísticos na Sibéria. Mas o problema que assola provavelmente alguns leitores preocupava também os siberianos: como prepará-la devidamente, sem sofrer os efeitos nefastos da toxicidade?
Bem, eles encontraram uma solução... aparentemente, se bebessem a urina do xamã, que sabia como preparar a cutícula e as doses a ingerir, ficavam apenas com as substâncias alucinogénicas, pois as tóxicas são degradadas em parte pelo nosso organismo.
Beber a urina do xamã era considerado um grande previlégio. Será que, como propôs Xavier Martins, é daí que vem a expressão "fulano teve mijo?" Hummm... a pensar...

domingo, 21 de janeiro de 2007

Schizophyllum commune




Esta estranha espécie intrigou os micologistas durante muitos anos. Tem uma textura papirácea, o chapéu está coberto de pilosidades lanosas brancas, cresce na madeira de árvores duma maneira semelhante às Polyporales, mas tem pregas debaixo do chapéu dobradas longitudinalmente (Schizophyllum significa "folha dobrada"), que parecem lâminas à primeira vista. É uma espécie muito frequente em Portugal. Aliás, é uma das espécies mais frequentes no planeta, presente em todos os continentes com a excepção da Antártida, porque lá não há madeira que possa usar como substrato. Muitas vezes passamos por ela em jardins ou bosques... sem sabermos do que é capaz.
Tem uma capacidade de resistência notável: o cogumelo seca e rehidrata várias vezes ao longo da sua vida. Provavelmente os cogumelos da imagem em baixo têm um ano ou mais de existência. Estão por isso bem adaptados a climas com pouca chuva. Dada a capacidade de resitência destes fungos, podemos ver os seus cogumelos todo o ano, inclusivé em pleno inverno.
Este fungo é capaz de degradar a madeira das árvores e causar podridão branca. A madeira é um dos materiais naturais mais difíceis de degradar, e as enzimas produzidas por estes fungos são relevantes para a biorremediação de diversos poluentes.
Este cogumelo apesar de não ter valor gastronómico, é comestível e tem aplicações medicinais. Produz uma substância designada schizophyllan, que aumenta as defesas imunitárias. E inacreditavelmente ainda dá para fazer uma espécie de queijo!!!!
Além disto, é um organismo modelo para estudar a reprodução sexual nos cogumelos.
No entanto, nem tudo neste fungo é bom para nós: pode causar micoses no sistema respiratório em pessoas e animais imunocomprometidos.

Santa Isabel, Janeiro de 2007

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Amanita phalloides: Puro veneno?



Estamos na presença do "mestre do mal", da espécie conhecida por cicuta verde, responsável por uma longa lista de envenenamentos: Amanita phalloides. Mas... se é assim tão conhecida dos micologistas, porque continuam a existir envenenamentos? Para compreendermos isto, temos de a conhecer melhor... e de nos conhecer a nós próprios.
Em Portugal, tal como noutros países da Europa, os cogumelos selvagens fazem parte da tradição gastronómica (ex: Trás os Montes e Alto Douro). A apanha de espécies comestíveis é baseada frequentemente em características vagas, como por exemplo "os cogumelos dos pinhais", os "laranginhas", os "das árvores", os com anel, os sem anel, os que escurecem a prata, os comidos por animais, os que o Sr. Zé apanha, etc.
Apanhar cogumelos não é um desporto radical, desde que se saiba o que se está a fazer. Não passa pela cabeça de ninguém ir pelo monte fora e colher ervas ao acaso, correndo o risco de apanhar cicuta a pensar que é salsa. Mas as formas dos cogumelos são tão sedutoras...
Uma das notícias da TV chocou-me particularmente. Um homem decidiu provar cogumelos que pensava serem venenosos porque caso não fossem, podia vendê-los. Experimentou e correu mal. Era Amanita phalloides. Teve de ter um transplante de fígado. No final da reportagem, quando lhe perguntaram se era capaz de voltar a comer cogumelos selvagens, o homem respondeu: sem dúvida, pois agora é que estou perito!
Todos os Outonos há envenenamentos por cogumelos selvagens, principalmente devidos a Amanita phalloides. Esta espécie apresenta cores variáveis e partilha os mesmos habitats de muitas espécies comestíveis. Não há "regra universal" que permita distinguir os cogumelos venenosos dos comestíveis. É necessária uma identificação muito cuidada. A única regra é: não conheço ou não tenho a certeza, não como!
A Amanita phalloides é uma espécie muito benéfica para as árvores, pois estabelece micorrizas com carvalhos, castanheiros e pinheiros, entre outras. A sua toxicidade deve-se à presença de amatoxinas (ex: amanitinas) e falotoxinas, compostos que não se destroem pelo calor ou cozedura. Os sintomas fazem-se sentir 6 a 12 horas após a ingestão. Ao fim de 24-48h, o doente passa por uma fase de melhoras aparentes, após a qual o fígado pode sofrer danos severos. Muitas das vezes, quando os danos são irreversíveis, a única solução para salvar o paciente é um transplante de fígado.
Paracelso disse há muitos séculos: é a dose que faz o veneno. De facto, foram descobertas aplicações biomédicas para os "venenos" desta espécie. Aparentemente as amanitinas têm um potencial na luta contra certos tipos de cancro da pele, em doses muito baixas e em excipientes adequados.
Tal como a tecnologia, a natureza nunca é nem boa nem má. Mas chama-nos a conhecê-la para a usarmos da melhor maneira.

Para saber mais, consultar (referências detalhadas na bibliografia):
Xavier Martins, Cogumelos. 2004.
Moreno e outros. La Guia de Incafo de los Hongos de la Peninsula Ibérica. 1986.
Frade e Alfonso. Atlas fotográfico de los hongos de la Península Ibérica. 2003.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Flammulina velutipes


O Outono é por excelência a estação do ano em que assistimos a um esplendor de espécies difícil de superar, mas conseguimos ver cogumelos em todas as estações do ano.
A Flammulina velutipes é um dos cogumelos que não se assusta com o frio do Inverno. Caracteriza-se por ter o chapéu cor de fogo, viscoso, e um pé coberto de pequenos pêlos que parecem forrá-lo a veludo negro. É uma espécie nival, que consegue crescer entre a neve, e cresce sobre madeira e restos lenhosos de árvores caducifólias (carvalhos, choupos, faias, salgueiros...) e algumas plantas lenhosas, mas é muito rara em coníferas.
É uma espécie comestível, cultivada no Japão à escala industrial, designada por enoki ou enokitake. No entanto, a forma cultivada tem pouca semelhança com os seus irmãos do "ar livre". No Japão é cultivada no escuro, e fica com um pé muito longo e um chapéu pequeno, além de ter cores muito mais claras.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Lactarius torminosus


Esta espécie de Lactarius pode ser encontrada junto de bétulas, árvores com que estabelece micorrizas. O seu chapéu caracteriza-se por ter umas pilosidades lanosas únicas na margem do chapéu, cor rosa velho. Apesar da sua beleza, é considerado como tóxico, potencial causador de perturbações do trato intestinal (do latim torminosus, que provoca cólicas). Faz parte duma associação micológica micorrizal com bétulas proposta por Moreno & Lopez (1978) composta principalmente por Leccinum scabrum, L. torminosus, L. glyciosmus, L. necator, Russula aeruginea, R. nitida e Tricholoma flavobrunneum. O seu látex é branco de sabor muito picante. No entanto, tal como outras espécies de cogumelos, é capaz de despertar a admiração e apetite das lesmas que parecem hipnotizadas pelas suas cores e formas, e são aparentemente imunes à sua toxicidade. Pelo menos, não fiquei lá muito tempo para ver o resultado...

Outono, Pedra Bela, Gerês

Os 100 grandes cogumelos Portugueses

O propósito é apresentar alguns dos cogumelos frequentes do nosso país e apresentar algumas informações sobre eles. Fica o convite a listar aqui também os seus favoritos!