quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Armillaria mellea




Esta espécie, apesar de comestível, é uma das "más da fita" para árvores. Além de saprófita, é fortemente parasita de diversas espécies, desde a vinha ao sobreiro. É capaz de causar podridão radicular e levar à morte das plantas, e encontra-se amplamente distribuída no globo, tanto em regiões temperadas como tropicais. As árvores mais fracas, devido a competição, ataques de outras pestes ou condições climáticas adversas são as mais susceptíveis à infecção pelo fungo. Quando ataca as árvores pode produzir centenas de cogumelos, em tufos na base do tronco (ver foto) ou à volta da árvore sobre as raízes enterradas. Apesar do micélio sobreviver na planta todo o ano, os cogumelos são visíveis sobretudo no fim do Verão ou Outono, após a chuva. O controlo da infecção faz-se recorrendo a fungicidas e arrancando as plantas infectadas.
Armillaria mellea trata-se na verdade dum complexo de espécies. Sabe-se hoje que existem várias espécies crípticas, indistinguíveis nas suas características morfológicas mas com distintos padrões moleculares.
Em Portugal, Helena Bragança, da Estação Florestal Nacional, estuda os padrões moleculares de A. mellea capaz de causar podridão em sobreiro. Além da extrema importância em conhecer-se este complexo de espécies capaz de causar declínio numa árvore crucial para o nosso país, postulou-se há alguns anos atrás que A. mellea poderia ser responsável pelo chamado "gosto a rolha". O "gosto a rolha" é um fenómeno raro: afecta cerca de 0.5 a 2% das rolhas a nível mundial. Caracteriza-se pela presença de substâncias voláteis na rolha capazes de migrar para o vinho e conferir-lhe um gosto desagradável a mofo. Um dos principais compostos responsáveis por este aroma é o tricloroanisol (TCA), e pode ser produzido por vários microrganismos presentes na casca do sobreiro. No entanto, a A. mellea não parece ser responsável por este defeito aromático.
De facto esta espécie é comestível, mas requer cocção prévia durante cerca de 5 minutos para prevenir eventuais indisposições gástricas. Não é muito rica em sabor, mas têm uma textura interessante, e liberta uma "geleia" que espessa o molho. Pode também ser conservada em compota. Apenas os exemplares jovens devem ser consumidos, pois os mais velhos são indigestos. Para bem das nossas árvores, é bom não vermos esta espécie muitas vezes, pois é um sinal de declínio das florestas.
Para mais informações, consultar:
http://www.cientic.com/tema_fungos_jorn03.html
http://www.na.fs.fed.us/spfo/pubs/fidls/armillaria/armillaria.htm
http://www.mushroomexpert.com/armillaria_mellea.html

3 comentários:

Anónimo disse...

parabéns miscara. Adorei as fotos. Sou tua fã. Fico à espera do próximo

Anónimo disse...

Não são só as fotos que são boas.Faltava um local assim, com rigor científico para os apaixonados de cogumelos mas pouco conhecedores, como é o meu caso. Escreves muito bem.

miscara disse...

Obrigada! Nada melhor do que um incentivo ao trabalho!